Ucrânia

  O ano de 2002 foi atípico para o futebol brasileiro. Em função de ser um ano de Copa do Mundo o calendário nacional foi reduzido e as equipes ficaram 120 (cento e vinte dias) sem atividades. O Paraná Clube tratou logo de ocupar este vazio com sua segunda excursão internacional capitaneada pelo Superintendente de Futebol, Ocimar Bolicenho.
  No início do mesmo ano, os clubes da capital paranaense (Paraná, Atlético e Coritiba) foram visitados pelo Sr. Mariano Machula, descendente de ucraniano e residente em Prudentópolis, que se fazia acompanhar de empresários daquele país que procuravam estreitar relações e tratar de uma possível série de jogos de um clube de Curitiba (maior pólo de imigração ucraniana do Brasil) justamente no período de realização da Copa do Mundo do Japão/Korea.

  Após decidir o Campeonato Paranaense de 2002 e sagrar-se Vice Campeão Estadual o Paraná Clube realizou a viagem que serviu também como preparação ao Campeonato Brasileiro daquele ano. A delegação foi chefiada pelo Conselheiro José Domingos Borges Teixeira e pelo Superintendente de Futebol Ocimar Bolicenho. A comissão técnica tinha Caio Junior (treinador) e Omar Feitosa (Auxiliar Técnico).
  A delegação viajou de Curitiba a Frankfurt onde pernoitou. Aproveitando a passagem pela cidade alemã a delegação realizou passeio turístico que terminou com um jantar típico da região. No dia seguinte vôo até Warsovia e, da capital polonesa, oito horas de viagem rodoviária realizada em ônibus do clube anfitrião, o Karpaty F.C., até a cidade de Lviv na Ucrânia.
  O fato mais pitoresco foi a passagem de fronteira entre a Polônia e a Ucrânia. Considerada a fronteira mais segura na época da Cortina de Ferro este porto de passagem não perdeu suas raízes. Do lado polonês, quinze minutos foram suficientes. Já do lado ucraniano, que apresentava uma imensa fila de automóveis particulares ocorreu o inverso. Mesmo tendo a preferência sobre a fila que aguardava a passagem a verificação dos documentos demorou aproximadamente três horas o que fez com que a viagem se transformasse em muito lenta e cansativa. Ao chegar a Lviv já no começo da noite resolvemos cancelar a primeira partida oficial marcada para o dia seguinte numa cidade que ficava a 80 quilômetros do hotel que alojaria a delegação.
  No terceiro dia o primeiro compromisso na cidade de Tchernovograd situada a 70 quilômetros de Lviv. Uma verdadeira festa. Cidade pequena e operária o jogo contra a equipe local foi um sucesso. Estádio lotado e todas as autoridades presentes. O Paraná Clube venceu o jogo por 1 x 0 , gol de Ronaldo, que, quando anunciado nos altos falantes gerou uma grande ovação devido a tratar-se de homônimo de Ronaldo, o fenômeno. O respeito ao clube brasileiro foi sentido em todos os momentos da festividade. Execução do hino nacional e lembranças do local foram bastante aplaudidas por todos. Após o jogo, jantar de confraternização com as autoridades locais onde foi servido o melhor da culinária ucraniana.
  De volta a Lviv, iniciou-se a preparação para o segundo jogo contra a Seleção Olímpica da Ucrânia. Fomos assistir ao treino do selecionado e o treinador ao saber disso parou o treinamento para realizar apenas exercícios. O campo onde treinava a seleção localizava-se junto ao terreno de uma antiga fábrica de armamentos russa. Na apresentação das equipes uma atitude estranha da torcida. Cada capitão de equipe proferia algumas palavras antes do início da partida. Estranhamos quando o capitão da seleção ucraniana começou a falar e a torcida em peso deu-lhe uma vaia ensurdecedora. Descobrimos, através de nossa intérprete, que a vaia ocorreu porque o atleta falou em idioma russo, país que dominou a Ucrânia por muito tempo. A independência da Ucrânia ocorreu apenas em 1989. Nova vitória do Paraná sobre a seleção olímpica por 1 x 0, gol de Ronaldo, e, outra vez, nova ovação. De lamentar nesta partida apenas a pouca presença de público.
  A estrutura cedida pelos ucranianos foi de primeira categoria. Hotel de luxo, instalações de recuperação excelentes de propriedade do próprio Karpaty F.C.
  Terceiro e último jogo marcado contra o clube anfitrião no Estádio de Lviv. O Paraná Clube novamente marcou 1 x 0 através de Ronaldo e o juiz da partida tentava de todas as maneiras conseguir um resultado mais adequado para a equipe local até que nos descontos num contra ataque muito rápido Dennys que acabara de entrar fez o gol de misericórdia e emplacou o resultado final 2 x 0 para o Paraná Clube.
  Em outros tempos a equipe brasileira seria considerada FITA AZUL pois, realizou campanha invicta em jogos no exterior.
  No ano seguinte a equipe do Karpaty F.C. ficou de retribuir a visita ao Brasil onde seriam realizados jogos em Curitiba, Prudentópolis e União da Vitória onde residem as maiores colônias ucranianas. Em virtude da troca de treinador acabaram por cancelar a viagem.

  De acordo com as informações do Sr. Mariano Machula o Paraná Clube foi o escolhido exatamente pela forma que recebeu os ucranianos e pela extrema rapidez na confirmação do convite dada pelo seu Departamento de Futebol.

Ocimar Bolicenho e José Domingos Borges Teixeira no Estádio de Lviv-Ucrânia.

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